Encontros com Manoel Rangel e Roger Koza discutem a presença e as perspectivas do cinema brasileiro

Nesta quarta-feira, dia 25, a 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes promove dois encontros no Cine-Teatro Sesi para discutir o cinema brasileiro. Às 15h, o convidado internacional Roger Koza, da Argentina, fala de sua experiência como programador do Filmfest Hamburg e crítico de várias publicações, na mesa “Um olhar sobre o cinema brasileiro”. Ele compartilha ideias sobre cooperação para a difusão da produção do Brasil no exterior.

 Em seguida, às 16h, o presidente da Ancine (Agência Nacional do Cinema), Manoel Rangel, participa do encontro “Avanços e perspectivas para o setor audiovisual brasileiro”, sobre a expansão de produção e consumo audiovisual de conteúdos para cinema, TV e novas mídias. Rangel, cujo mandato na Ancine se conclui em maio, também fará um balanço de seu trabalho ao longo dos últimos anos na solidificação da produção independente e na grande presença brasileira em festivais internacionais.

 Mais cedo, pela manhã, o Seminário do Cinema Brasileiro promove três Encontros da Crítica, Diretor e Público: às 10h, bate-papo sobre Homem-Peixe, com o pesquisador Denilson Lopes; às 11h15, conversa em torno de Um Filme de Cinema, com Nanci Barbosa; e às 12h30, mesa sobre a série 2 da Mostra Foco, com a presença dos realizadores.

Os filmes começam a ser exibidos às 16h30, no Cine-Tenda, com a Mostra Experimentos, que reúne quatro curtas-metragens caracterizados pelo trabalho inusitado com a forma. Às 17h30, no Cine-Teatro, passa a Mostra Formação – Série 1, exibindo títulos feitos em ambiente universitário. Às 18h, no Cine-Tenda, segue a Mostra Aurora com o longa-metragem maranhense Lamparina da Aurora, de Frederico Machado. Logo em seguida, às 19h30, outro filme da Aurora: Sem Raiz, produção paulista de Renan Rovida. A noite termina no local com a série 3 da Mostra Foco, às 22h30. Antes, no Cine BNDES na Praça, às 21h, tem três curtas-metragens em exibição.

No Sesc Cine-Lounge, às 21h15, o curador da Mostra de Cinema de Tiradentes, Cléber Eduardo, participa de uma roda de conversa com o público, respondendo a perguntas sobre os processos de escolha e as articulações de sessões ao longo de seus dez anos na função. Fechando a noite, à 0h30, tem show do Siba.

Na segunda-feira, a mesa “As mulheres na crítica: cenário brasileiro” reuniu integrantes do coletivo Elviras para falar sobre a presença feminina na pesquisa, reflexão e curadoria de cinema no país. O objetivo foi apresentador dados e números e apontar caminhos para uma maior inserção das mulheres no cenário e a luta por maior representatividade em comissões, mesas e títulos selecionados.

“A gente se encontra muito em festivais e começamos a conversar sobre a baixa representatividade de mulheres nas mesas de debates, nos júris, nas críticas, escrevendo, falando sobre filmes. Mas tem, sim, mulheres para essas funções, então resolvemos nos mapear”, disse a jornalista Flávia Guerra. “A gente quer disponibilizar essas informações. Um olhar feminino não é um olhar cor de rosa, mas um olhar de diversidade”.

O nome Elviras surgiu como tributo a Elvira Gama, primeira mulher no Brasil a escrever sobre a imagem em movimento, num texto de 1854 na coluna “Kinetoscópio” do Jornal do Brasil. “Foi uma pioneira, e muitas vezes a gente não conhece as mulheres pioneiras”, completou Flávia.

Horas depois, o longa-metragem Baronesa abriu a Mostra Aurora. Com direção da mineira Juliana Antunes, é um dos 14 títulos dirigidos por mulheres que compõem o evento este ano. Ao longo da última década, esta é a maior proporção de selecionadas (46% do total) em toda a história da Mostra. Em 2008, por exemplo, 47 longas-metragens foram inscritos, sendo 10 dirigidos por mulheres (21%); entre os 21 selecionados, 4 eram de mulheres (19%). O ano com maior número de inscritas foi 2009, quando 18 filmes com diretoras (31%) foram enviados num total de 58 longas. Dos 22 que entraram, 6 (27%) eram de mulheres.

Como aponta o curador, Cléber Eduardo, a guinada desses números e a proporcionalidade maior da presença feminina tanto na inscrição quanto na seleção se deve, em muito, a reações ao antigo estado conservador das coisas. “Mais importante que a quantidade é a expressividade dessas presenças”, diz ele, exaltando a invenção e a força dos filmes selecionados. “A quantidade de diretoras é reação; a expressividade é reinvenção”, destaca.

 GRÁFICO COM NÚMERO DE LONGAS DIRIGIDOS POR MULHERES INSCRITOS E SELECIONADOS DESDE 2008

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CONFIRA AS PORCENTAGENS DA PRESENÇA FEMININA NOS ÚLTIMOS ANOS NA MOSTRA

 11ª Mostra de Tiradentes – 2008
47 longas-metragens inscritos /10 dirigidos por mulheres: 21%
21 selecionados/ 4 de mulheres: 19%

12ª Mostra de Tiradentes - 2009
58 longas-metragens inscritos /18 dirigidos por mulheres: 31%
22 selecionados/6 de mulheres: 27%

13ª Mostra de Tiradentes - 2010
75 longas-metragens inscritos /15 dirigidos por mulheres (20%)
23 selecionados/7 de mulheres: (30%)

14ª Mostra de Tiradentes - 2011
79 longas-metragens inscritos /14 dirigidos por mulheres (18%)
26 lselecionados/6 de mulheres (23%)

15ª Mostra de Tiradentes - 2012
99 longas-metragens inscritos /23 dirigidos por mulheres (23%)
25 selecionados/9 de mulheres (36%)

16ª Mostra de Tiradentes - 2013
108 longas-metragens inscritos / 22 dirigidos por mulheres: 20%
28 selecionados/ 6 de mulheres: 21%

17ª Mostra de cinema de Tiradentes - 2014
130 longas-metragens inscritos/ 22 dirigidos por mulheres: 17%
23 selecionados/ 7 de mulheres: 31%

18º Mostra de Tiradentes - 2015
111 longas-metragens inscritos/ 27 de mulheres: 21%
33 selecionados/ 7 de mulheres: 21%

19ª Mostra de Tiradentes - 2016
123 longas-metragens inscritos/ 26 dirigidos por mulheres: 21%
30 selecionados/ 6 dirigidos por mulheres: 20%

20ª Mostra de Tiradentes - 2017
157 longas-metragens inscritos / 37 dirigidos por mulheres: 23%
30 selecionados/ 14 dirigidos por mulheres (46%)