Arte

as_bahias_e_a_cozinha_mineira_div
Foto: Divulgação

 

As Bahias e a Cozinha Mineira

Umas das “reações” que mais têm chamado atenção na cena artística contemporânea diz respeito à visibilidade que a pauta dos processos de identificação de gênero e sexualidade vem recebendo. Em especial, a questão da transgeneridade, justamente por embaralhar as categorias de identidade de gênero de modo mais radical, vem recebendo uma visibilidade tão interessante quanto fundamental para o enriquecimento da diversidade cultural de nossa cena artística.

Neste sentido, o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira vem se destacando ao propor um trabalho com consistência estética e capacidade de lançar novos olhares que desconstruam os estereótipos impostos aos indivíduos transgêneros. Com fortes influências da apropriação que a “MPB” fez do blues-rock, do jazz e do soul a partir da década de 70 (em suas imbricações com o samba, o baião, o ijexá, etc.), o repertório autoral traz sofisticação nos arranjos, ao mesmo tempo que uma certa atmosfera de militância, com letras que realçam a visibilidade para questões importantes do presente.

 

constantina_leticia_marotta
Foto: Letícia Marotta

 

Constantina

Um dos grupos mineiros mais relevantes no cenário do chamado post rock, o Constantina, além de responder esteticamente aos anseios por experiências musicais plenas de experimentações, lançaram em 2016 o álbum conceitual “Mexido”, no qual a música acontece de modo indissociável dos conteúdos audiovisuais.

Desse modo, o grupo responde de modo surpreendente ao movimento de imbricação entre as duas linguagens, algo que já vem sendo explorado de diferentes formas pelos artistas mais propositivos e que parece, com este trabalho, ter chegado a um ponto de maturação especialmente consistente.

 

djalma1_foto_daniel_iglesias
Foto: Daniel Iglesias

 

Seu Djalma Não Entende de Política

Embaralhamento e superposição de identidades de gêneros.... musicais!! Seu Djalma Não Entende de Política consegue colocar na mesma panela samba, carimbo, afoxé, rock, psicodelia, frevo... Tudo coerentemente desarranjado num caldeirão de referências que não precisam necessariamente concordar, mas simplesmente conviver.

O grupo desafia toda espécie de normatização e categorização estética com sua salada de ritmos e referências, trazendo para o foco musical o debate sobre identidades contemporâneas. Além disso, seu primeiro disco “Apesar da Crise”, pode ser encarado como uma bem-humorada crônica de assuntos que habitam a vida da cidade, abordando a relação entre arte e política de forma lúdica mas nem por isso menos eficaz!

 

siba_jose_de_holanda
Foto: José de Holanda

Siba

Tomando como base o diálogo dos ritmos de rua de Pernambuco (especialmente Ciranda e Maracatu de Baque Solto) com aspectos da música congolesa, o último trabalho de Siba, “De baile solto”, tateia uma poética em busca da “proximidade”, da potência do indivíduo frente às inúmeras institucionalidades que buscam regular o território.

Os sacríficos exigidos pelo pacto civilizacional são questionados logo na faixa de abertura, “Marcha Macia”: Progrediremos todos juntos, muito em paz / Sempre esperando a vez na fila dos normais / Passar no caixa, voltar sempre, comprar mais / Que bom ser parte da maquinaria! / Teremos muros, grades, vidros e portões / Mais exigências nas especificações / Mais vigilância, muito menos exceções / Que lindo acordo de cidadania!

Já em “Mel Tamarindo”, é a relação distância / proximidade que é abordada: Quem quer brincar / Dá a mão ao companheiro / Forma a roda no terreiro / E pode se balançar / Quem não dançar / Procure um canto e se escore / Abra o ouvido e decore / Ou grave no celular.

Esta habilidade para trazer questões complexas de forma lúdica e simples, através da música, a partir de um forte senso de ligação com o território e suas tradições, mas sempre tratando-os sob um ponto de vista singular e contemporâneo, é a marca do trabalho de Siba, especialmente alinhado com a temática conceitual da Mostra.

 

coutto_orchestra_melissa_warwicke
Foto: Melissa Warwicke

Coutto Orchestra

Na linha do “glocal”, o grupo Coutto Orchestra mistura pegada pop a fortes elementos tradicionais. Banda formada em Aracajú, ganhou projeção nacional a partir de um centro pouco reconhecido no imaginário cultural brasileiro (Sergipe).

A Coutto assume para si o desafio de tornar plural o que é da terra, unindo aparatos tecnológicos à sanfona, cordas, theremim e vozes entoando canções com/sem palavras envoltas por projeções e luzes, provocando uma sensação festiva e imagética.

A Orchestra traz a intenção de ver a música brasileira tornar-se global de maneira única, essencialmente estranha à sua própria imagem e semelhança. 

 

coletivo_ana_paula_huven
Foto: Paula Huven


Coletivo A.N.A.

Trazendo a pauta do feminismo e da canção autoral de forma rica, abrangente e com preocupação estética, o Coletivo A.N.A. envolve oito “cantautoras” de Belo Horizonte, com trajetórias tão sólidas quanto distintas.

O trabalho do coletivo evidencia a poética do olhar feminino, e está marcada pela multiplicidade de linguagens de suas artistas, integrando poesia, música e artes visuais. O A.N.A. é integrado por Deh Mussulini, Irene Bertachini, Laura Lopes, Leonora Weissmann, Leopoldina, Luana Aires, Luiza Brina e Michelle Andreazzi. Compositoras, cantoras, instrumentistas, produtoras, artistas plásticas, todas atuam intensamente na nova cena da música autoral mineira, participando de diferentes festivais, discos e grupos.

 

 

nao_recomendados_div
Foto: Divulgação

Não Recomendados

Não Recomendados é um espetáculo com a união de três autores intérpretes: Caio Prado, Daniel Chaudon e Diego Moraes, além de um produtor autor: Edu Capello. Todos eles prenhes de inquietação e com a mesma vontade: transformar, questionar e provocar os padrões comportamentais e viciados da sociedade.

A união desses artistas é movida pela arte transformadora, que reflete a realidade nua de conceitos baseados em heranças desproporcionais. O espetáculo, como um palco laboratorial, se torna uma extensão das próprias vivências de cada integrante, os becos, as ruas, as noites, as lutas. Tudo refletido em cena. 

O show é construído pra levar sensações e reflexões ao público: o cenário, as projeções, o figurino, a luz e os textos recitados. Nessa atmosfera, torna-se pública a nudez de uma convivência repleta de humor, acidez e amor, misturando as densas composições de Caio Prado, a melancolia de Daniel Chaudon e a ironia de Diego Moraes. Além das canções autorais, os artistas emprestam sua voz a releituras clássicas que transitam de Caetano e Gil a Alexandre Pires e Cheiro de amor.

Tanto as canções autorais como as releituras passam pela sensibilidade de Edu Capello, que cumpre o importante papel de somar ao trio arranjos que funcionam como uma quarta voz. Nada lembra o original, o óbvio, a regra é transgredir, encontrar novas formas de comunicar, provocar e atingir através das vozes e da sonoridade ímpar de cada arranjo. 

 Pé de Sonho

pe_de_sonho_div
Foto: Divulgação

Experiência do renomado violonista Weber Lopes e do o percussionista, educador e performer Geovanne Sassá no campo da cultura infantil, “Pé de Gente” é um espetáculo cuidadosamente criado a partir da experiência de Weber em escolas, onde trabalha os projetos trazidos pelas crianças. As canções se caracterizam pela beleza, riqueza de informações, adequação da linguagem, diversidade rítmica  e riqueza temática.

Com a presença de um grupo de músicos formado por adultos e crianças, a atmosfera dos shows preza pela intimidade com a plateia. A distância entre grupo e audiência é quebrada pela própria dinâmica das músicas, que enlaçam as crianças e conquistam o adulto.

Ratificando a estima pela infância, o grupo é em grande parte formado por crianças, que desempenham importante papel na dinâmica dos espetáculos: Amora Nunes, Lia Lopes, Davi Almeida e Maria Almeida. A espontaneidade e o frescor de suas atuações dão um toque especial e estimulam a participação do público. Ao lado delas, estão alguns dos maiores músicos de Minas Gerais: Adriano Goyatá (percussão), Ivan Correa (baixo), Marcos Danilo (guitarra e voz), as jovens cantoras Sarah Lopes e Rebeca Lopes, além, é claro de Weber Lopes (violão e voz) e Geovanne Sassá (percussão e voz). Buscando enriquecer e complementar a programação da Mostrinha, o Pé de Sonho fará uma apresentação integrada à exibição desta sessão, no domingo (22/01), às 10h, no Sesc Cine Lounge (ao lado do Cine Tenda).

 

barulhista_marco_aurelio_prates2
Foto: Marco Aurélio Prates

 Barulhista

“Barulhista, é uma palavra “inventada” para acabar com a procura de um nome para o que sou/faço: trilha sonora / escrita / conversa / concertos – tudo com base em experiências cotidianas”.

É assim que este artista mineiro, dedicado a criar performances musicais-audiovisuais, se apresenta. A partir da lógica do “remix”, o artista sonoro, produtor e compositor cria uma interessante camada autoral a partir dos cacos de sons e imagens que lhe servem de matéria-prima. Um trabalho de sensibilidade, que envolve a execução de instrumentos “analógicos” junto com os equipamentos eletrônicos.

Premiado pelo trabalho em diversas trilhas sonoras, o Barulhista mantém parceria com artistas como André Abujamra, Chico de Paula e Reallejo.

 

sentidor_flavio_charchar
Foto: Flávio Charchar

Sentidor

Sentidor apresenta no Encerramento da Mostra de Cinema de Tiradentes um novo registro, com paisagens sonoras que compõem seu último álbum Memoro Fantomo _ Rio Preto - considerado um dos melhores discos do ano de 2016 por sites especializados - e também trabalhos que darão forma a um disco inédito ainda a ser lançado em 2017.

Se a música é o sentido básico do trabalho do mineiro João Carvalho, a produção do artista ganha caráter sinestésico mesmo quando não se associa diretamente – como é, aliás, bastante comum – a outras linguagens artísticas, especialmente ao vídeo.

O projeto é representante de uma das cenas de Belo Horizonte que ganhou destaque dentre as capitais brasileiras: eletrônica, independente e experimental.  Uma juventude que, muitas vezes produz em seus próprios quartos-estúdios e com os olhos grudados à tela do computador, é capaz de abrir janelas, arejar e iluminar a música contemporânea brasileira.

 

reallejo_flavio_charchar
Foto: Flávio Charchar

 

Reallejo

Reallejo é o projeto solo de André Geraldo, músico multi-instrumentista, compositor, sound designer e produtor musical. Em 2003, iniciou-se na música através do violão clássico e a partir daí se aventurou em diversos instrumentos (teclas, violino, gaita, sanfona, viola caipira etc).

Como fonte de ideias, André utiliza as relações humanas com o mundo ao seu redor, condensando tudo em música. Além do Reallejo, o artista integra hoje o duo audiovisual Garoa e a banda Pássaro Homem, além de outros trabalhos nos campos da trilha sonora, música eletrônica e canção.

 

opavivara_div
Foto: Divulgação

Coletivo Opavivará!

Com participação em mostras, exibições e eventos em todo o mundo, o Coletivo OPAVIVARÁ! chega a Tiradentes para realizar intervenções artísticas em diálogo com o espírito do festival, em sua temática atual.

O grupo é celebrado pela propositividade com que desenvolve ações em locais públicos, galerias e instituições culturais, propondo inversões dos modos de ocupação do espaço urbano, através da criação de dispositivos relacionais que proporcionam experiências coletivas.

Para Tiradentes, o grupo leva a ação SOFARAOKÊ, propondo uma inversão do uso comum do sofá como mobiliário doméstico, transportando-o para o contexto aberto da rua, associado à prática popular do karaokê que horizontaliza as relações entre palco e plateia. Na reação ao enclausuramento doméstico que aprisiona os indivíduos sob o conforto dos aparelhos e aplicativos pós-contemporâneos, SOFÁRÁOKÊ se cola ao cinema de guerrilha e reinventa práticas prazerosas, comuns, coletivas, cooperativas e horizontais, produzindo ruídos na paisagem e reflexões críticas na população.

criola_athos_souza
Foto: Athos Souza

 

Criola

Criola constrói, na contramão da padronização da publicidade de estética europeizada, um universo de valorização e resgate às próprias origens de mestiçagem. Utiliza-se de plataformas simbólicas, pontuais e decisivas como, por exemplo, o cabelo crespo. Criola é conhecida por seu trabalho engajado em favor do empoderamento da mulher negra brasileira, possui grafites pelas ruas de diversas cidades no mundo, revelando formas e cores que remontam à ancestralidade da cultura africana.

Dentro do “Projeto Parede”, que o Sesc leva à programação de Tiradentes este ano, Criola irá realizar um “work in process” aberto à apreciação do público durante os dias do festival, ao lado do Sesc Cine Lounge.

 

miro_soares_miro_soares
Foto: Divulgação

Miro Soares

Apresentando planos fixos e de longa duração, as obras de Miro questionam os limites dos campos do cinema, do vídeo, da fotografia e da pintura. Os trabalhos privilegiam um movimento de exploração e deriva no espaço urbano, apontando para um jogo entre a representação do território e o território em si (como em Cartographies on the Seas 1, Cartographies on the Seas 2, Flowers Map e About the Leaves on the Gound).

Artista visual, filmmaker, pesquisador e viajante, os trabalhos de Miro Soares têm sido exibidos em exposições, festivais de cinema e festivais de arte e tecnologia em mais de vinte países, incluindo: Centre Pompidou e Forum des Images (França), Bergen Kunsthall (Noruega), Amber Art and Technology Festival (Turquia), Fundament Foundation (Países Baixos) e MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

douglas_pego_div
Foto: Divulgação

Douglas Pêgo

Tentativa Homem é uma série de vídeo-performances que busca levantar reflexões acerca do conceito do masculino e dos processos de identidade do gênero a partir de ações fundamentadas em estereótipos comuns deste universo.

Três dos cinco vídeos da série são apresentados nesta exibição, sendo eles o Tentativa Músculo, o Tentativa Valente e o Tentativa Futebol. As performances consistem na repetição exaustiva de ações simbólicas de cada domínio sugerido pelos títulos dos vídeos.

Douglas Pêgo é graduado em artes visuais com habilitação em desenho pela UFMG. Inicia sua produção em 2007, participando do coletivo Kaza Vazia e de exposições coletivas na cidade de Belo Horizonte. Em 2010, inicia a residência Bolsa Pampulha, do Museu de Arte da Pampulha, e participa da plataforma de performance Trampolim e do Muros: Territórios Compartilhados. Em 2012, participa das exposições coletivas “Outras coisas visíveis sobre papel”, na Galeria Leme, e “É preciso confrontar as imagens vagas com os gestos claros”, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

 

marila_dardot_marila_dardot
Foto: Marilá Dardot

Marilá Dardot

A obra “Diário” foi criada entre os dias 8 e 30 de janeiro, durante residência da artista na Casa Wabi, em Oaxaca, México. Marilá Dardot realizou um vídeo por dia, a partir de impactantes manchetes de jornais mexicanos. No vídeo de enquadramento estático, a artista aparece escrevendo com água as manchetes sobre um grande muro de concreto que, aquecido pelo sol, fazia sumir instantaneamente as mensagens ao evaporar a água usada como tinta. Dardot parece tecer um comentário sobre a efemeridade do impacto causado pelas notícias. “Diário” evidencia a tentativa hercúlea de tentar dar atenção à gravidade das informações compartilhadas no muro.

Marilá Dardot nasceu em Belo Horizonte, vive e trabalha em Lisboa. É  mestre em Linguagens Visuais (EBA – UFRJ, 2003). Ganhou diversos prêmios, entre eles o Prêmio Ibram de Arte Contemporânea (2011), Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça (2004) e o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Participou da 27a e  da 29a Bienal de São Paulo. Entre as últimas coletivas, destacam-se: Brasil, Beleza?! Museum Beelden aan Zee & Lange Voorhout, The Hague, Holanda, 2016), Arquivo vivo (Paço das Artes, São Paulo, 2013), 30 × Bienal - Transformações na arte brasileira da 1ª a 30ª edição (Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, 2013), Wanås Konst 2013 (The Wanås Foundation, Knislinge, Suécia), Além da Biblioteca (Itochu Aoyama Art Square, Tóquio, Japão, 2013), Blind Field (Krannert Art Museum and Kinkead Pavillion, Champaign, Illinois, EUA, 2013).

mottalima_div
Foto: Divulgação

Gisela Motta &Leandro Lima

Os artistas apresentam trabalhos que relacionam corpo, imagem e tecnologia, gerando grande potência de imersão ao espectador. Entre as obras apresentadas, Xapiri é um filme experimental que não se formula ao redor do ideal da objetividade impessoal. É, segundo Bruce Albert, “uma tentativa de tornar sensível, através de imagens digitais, certas ideias Yanomami sobre as imagens xamânicas, sua ontologia e sua estética, sua transdução e mutabilidade nos corpos. Trata-se, antes de tudo, de uma homenagem visual à riqueza intelectual e poética do xamanismo Yanomami”.  

Gisela Motta e Leandro Lima se formaram em Artes Visuais na Faap (1996-1999) em São Paulo, SP. Entre as suas exposições individuais, destacam-se: “Contando Ovelhas Elétricas”, Sesc Santo Amaro  (São Paulo, 2016), “Chora-Chuva”, Galeria Vermelho (São Paulo, SP, 2015), Sopro, Centro Cultural Banco do Brasil, Sala A (Rio de Janeiro, 2012), “Disque M para Matar”, Centro Cultural Britânico (São Paulo, SP, 2010), “Sob Controle”, Galeria Vermelho (São Paulo, SP, 2009) e “Foreign Element”, Hiap Project Room (Helsinque, Finlândia, 2007).

iuri_lis_div
Foto: Divulgação

 

Iuri Lis

“Queer Aesthetics” é composto por três vídeos-performances que trabalham com a ideia da estética única e extravagante da cultura “queer” e seus modos de expressar o gênero: na moda, na arte, na música, nas festas e no próprio corpo.

Iuri Lis é um jovem artista que tem se destacado pela natureza provocativa dos seus trabalhos abordando as questões de gênero de forma múltipla e a partir de diferentes propostas estéticas.

 

cia_circunstancia_pedro_de_filippis_1
Foto: Pedro Fillipis

Cia Circunstância

 A Companhia Circunstância é formada por artistas que têm em comum a entrega à “arte de palhaços”. Seu repertório conta com espetáculos, intervenções e oficinas realizadas em Minas Gerais e em outros estados do Brasil. A Companhia sempre investiu em formas autônomas de manutenção e produção, mantendo parcerias com produtores, dialogando junto a redes colaborativas e apostando na arte de rua como foco importante de divulgação e auto-sustentabilidade.

Para esta edição da Mostra, eles trazem a Tiradentes o espetáculo de rua “Palhaços à vista”, cujo enredo conta a história de quatro palhaços andarilhos herdeiros de um “cirquinho”, que dão o melhor de si para manter sua tradição com dignidade.

O processo artístico de criação deste trabalho vem sendo realizado desde a fundação do grupo, de forma autônoma, em contato direto com o público, em "passeios de palhaço" e apresentações em espaços públicos e privados. “Palhaços à Vista” é um espetáculo que perpetua a tradição das artes circenses na rua através do estado de graça do palhaço.

Grupo Maria Cutia

grupo_maria_cutia_luisa_monteiro
Foto: Luisa Monteiro

O Grupo Maria Cutia leva a Tiradentes o espetáculo de rua “Na Roda”, propondo uma estrutura dramatúrgica fragmentada, que mistura as linguagens da palhaçaria popular, das máscaras expressivas e da música-em-cena, a partir de canções e histórias recolhidas no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. Os atores brincantes tocam, cantam e contam suas histórias musicadas em intenso diálogo com o público, sempre em busca da improvisação que mantém viva a ponte entre artista e obra.

Sem uma estrutura dramatúrgica linear, o espetáculo é construído por números cênico-musicais independentes, integrando música a elementos de linguagem ligados ao universo do palhaço, da máscara, do ator brincante.

Cada número, cada canção, cada jogo brincante entre palhaço, máscara ou personagem, constrói cenas e músicas onde se retratam contos fantásticos, narrativas cotidianas e brincadeiras regionais. Tudo isso baseado na relação direta com o público, que influencia toda a criação do espetáculo, sempre único e diferente.

david_maurity_div2
Foto: Divulgação

 

 

David Maurity

Pensando em ampliar e aprofundar a dimensão cultural dos eventos promovidos pelo Sesc, valemo-nos da figura de um animador cultural, responsável por “impregnar de sentido” às obras apresentadas em sua relação com o evento, o público e a instituição.

Para esta edição, o animador cultural escolhido foi o ator David Maurity, integrante do coletivo mineiro “Todo Deseo”, que busca abordar a temática de gênero de forma criativa e provocadora. Transgressoras e encorajadoras, as ações desse coletivo visam garantir a liberdade de expressão e da participação dos sujeitos “trans” na vida social e cultural da cidade. São atos de resistência, inclusão e de luta contra o preconceito.

Além do seu trabalho como ator, David atua como mestre de cerimônia em eventos da cidade de Belo Horizonte, como a “Virada Cultural” e a “Festa Divina Maravilhosa”, realizada pela Cuia Cultural. Também é estudante do programa de pós-graduação em Estudos Literários da Universidade Federal de Minas Gerais.

 

 

 

 

23958033084_4b12c52a7f_k
Leo Lara/Universo Produção

 

 

 

Cortejo das Artes

No primeiro sábado do evento, o tradicional “Cortejo das Artes” irá percorrer as ruas de Tiradentes com inúmeras atrações ligadas à cultura popular e tradicional, desde congados e folias de reis, passando por blocos carnavalescos e envolvendo palhaçaria, teatro de rua, bonecos, entre outros.

Destaque para os blocos “Samba do Queixinho” e “Corte Devassa”; para os bonecos do Mestre Quati; para a Guarda de Congo N. Sra do Rosário; para a Associação Casa do Tesouro (grupo de dança afro); e para a Banda Ramalho.

 

grazi_medrado_01_foto_mariana_valentim
Foto: Mariana Valentim

 

 

 

 

Grazi Medrado

É produtora cultural e atriz. Trabalha e colabora com diversos artistas, grupos e coletivos de teatro, música, arte urbana, audiovisual e performance de Belo Horizonte. Atualmente é coordenadora de produção do Galpão Cine Horto, centro cultural do Grupo Galpão.

 

 

 

 

ir_chico-de-paula-9917w
Foto: Marco Aurélio Prates

 

 

Chico de Paula

Artista Audiovisual; Poeta. Desenvolve performances, espetáculos intermidiáticos, instalações e conteúdos audiovisuais interativos para Museus.

Com formação em arquitetura e design, trabalha em diversos suportes, com foco na pesquisa de linguagem, a partir da tecnologia. Criou a Arquipélago como um ateliê de arte de fronteira, sempre em consonância com artistas de áreas e influências diversas que tem na inquietude um motor para as suas ações.

 

matallo_josilopes__mg_3090
Foto: Divulgação

 

Josi Lopes

Josi Lopes Nasceu em Belo Horizonte, teve experiências com canto coral e começou sua formação artística no Centro Cultural Tambor Mineiro. Formada pelo Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), participa de três espetáculos na capital mineira: "O Negro, a Flor e o Rosário" e "Oratório – A Saga de Dom Quixote e Sancho Pança", ambos da Cia. Burlantins, e "Zumbi", releitura de João das Neves para o clássico "Arena contra Zumbi", de Augusto Boal.

Em 2013, muda-se para São Paulo, e participa do elenco de  "O Rei Leão" no papel de Nala, permanecendo em cartaz durante dois anos. Fez parte também do musical “Mudanças de Hábito" em 2015. Em 2016 fez parte do Elenco de Ghost – o Musical.

 

ph_hhenrique_bocceli2_bia_nogueira
Foto: Henrique Bocceli

 

Bia Nogueira

Bia Nogueira é artista e agitadora cultural, cuja atuação se divide entre o teatro e a música. Com o seu Grupo dos Dez, dedica-se à pesquisa acerca do teatro musical brasileiro, contando com a colaboração de nomes como João das Neves e Titane. Integra o Coletivo de compositoras Mulheres Criando, além de ser coordenadora e produtora do Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras e idealizadora e produtora do IMuNe – Instante da MÚsica NEgra. Seu disco de estreia, autoral, tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2017.